No final da João Paulo II

                Faz uma hora que a Yamada Plaza da Almirante Barroso fechou. Ele observa da janela e vê apenas o movimento dos seguranças da loja. Sua mãe foi claramente cansada, dormir às 22h assim que a loja começou a desligar as luzes. Seu pai ainda ocupa a salinha de estudo, amanhã, quinta-feira, ele tem que começar a obra de um novo prédio pela Leal Moreira. Os dois estavam felizes, pois já fazia dois dias que Rodrigo passava todas as horas da noite em sua cama. Mas não podia aguentar outro dia, mais uma madrugada no silêncio do seu quarto. Ele queria esperar seu pai dormir – mas para quê? Sempre o fofoqueiro do porteiro contava os detalhes de sua saída!

                Abre o portão da garagem, pega as chaves que precisa e o dinheiro. Vai saindo sem fazer barulho, passa pela portaria e pega um taxi.

- Para onde garoto? Sabe que é bandeira II?

- Final da João Paulo II. Pago até se fosse III! – ele se arrependeu de não ter chamado Miguel.

                Às 00h eles começam a chegar. Os moto-taxistas aparecem lentamente pela Perebebuí e uma turma de outros garotos e garotas já está lá, todos ansiosos. Aparentemente de “boa” família – nota-se pela roupa em especial pelo tênis! – o rosto revela que ainda são de “menor”. Alguns taxistas também começam a chegar por ali, mas ao esmo, passivos, obrigados a observar as próximas cenas.

- O pacotinho é “dez pila”! A de hoje tá boa! – diz um dos moto-taxistas.

- Toma aqui! – responde Rodrigo com uma voz suspensa e ansiosa para que tudo acabe logo.

                Ele vai para o “esconderijo”. Somente alguns passos da pista. Abre o pacote na mão direita. O branco se mostra pela luz da lua. Aproxima o nariz e suspira aquele pó que chama de cocaína. Trigo, pó de lâmpada – para arder mais no nariz – e giz esfarelado, tudo para render mais. Alguns garotos, pela euforia do momento nem percebem, por isso funciona. Um quilo que chega às mãos dos moto-taxistas, ou também, traficantes, se transforma em três, cinco ou até mais.

                Rodrigo sai dali satisfeito! Seus gestos ostentam um sentimento de vitória. Conversa um pouco com a galera e fica por ali “fisgando” até que o cansaço chegue.

- Me leva pra casa! – essas são as únicas palavras dele para Miguel, o taxista que muitas outras vezes o levara para casa.

                Miguel dá mais um “sermão” tentando ajudá-lo e ambos se despedem. Daqui cinco horas, depois de rodar a noite toda, Miguel chegará a sua casa para dormir e Rodrigo vai levantar para o colégio, ele quer fazer direito!

Pós-modernidade: fragmentação, tensão e radicalização, adreas huyssen, lahire, adelman

……O surgimento de um novo contexto sociocultural quase sempre provoca mudanças estruturais e de abordagens nas mais variadas instituições da sociedade. A educação, por exemplo, ao longo da era moderna passou por pelo menos três revoluções diferentes, que giraram em torno das discussões sobre cognição e mente em Herbart, liberdade e democracia por Dewey e finalmente a emergência do oprimido em Paulo Freire. As mudanças atraem mudanças, e a educação, para garantir sua relevância teve que elaborar essas três teorias ou modelos educacionais. harlon.romariz@advir.com

……Na área empresarial temos o mesmo. Ao longo dos últimos 50 anos no campo material, houve um busca crescente por alta tecnologia, informação e mais recentemente pelo domínio e/ou organização da informação. No campo humano, a tradicional compreensão das gerações em BB, X, Y e Z provocou mudanças no comportamento empresarial ao ponto de modificar a estrutura física e gerencial das empresas.

……E como a igreja tem reagido aos novos contextos socioculturais? As mudanças, os novos projetos e metodologias que surgem são construídos a partir de uma compreensão mais solidificada da realidade humana? Se a igreja está mudando como instituição, na tentativa de manter sua relevância, quais então os marcos teóricos que a tem guiado?

……Ao colocar o ser humano em perspectiva, nossa busca por compreensão e conhecimento acaba sendo dividida em quatro âmbitos. O primeiro consiste no ser humano como pessoa, nível este estudado pela psicologia; a psicologia social talvez se concentre no ser humano quando em grupo; já as ciências sociais entendem o homem na sua prática quando em sociedade; e finalmente a filosofia é fruto da abstração desse indivíduo em relação ao mundo e ao outro.

……Assim, qualquer proposta de mudança empreendida pela igreja, seja ela estrutural, comportamental ou metodológica deve passar primeiro pela compreensão do ser humano nestes quatro níveis e assim encontrar parâmetros que possam guiá-la. Por limitações pessoais, vamos apresentar apenas algumas das teorias e discussões/visões mais recentes (pós-modernidade) que procuram explicar o ser humano em seu nível societário e filosófico.

VISÕES DE ÂMBITO SOCIOLÓGICO

……Em meados dos anos 60 a sociedade viu florescer o movimento de “vanguarda” e posteriormente o surgimento de identidades geradas por um discurso de radicalização da modernidade. Andreas Huyssen (apud ADELMAN, 2009, p. 214) argumenta que a terceira fase da pós-modernidade é caracterizada por essas identidades que emergem a partir de elementos centrais de um “pós-modernismo de resistência”. Para Huyssen o “pós-modernismo contemporâneo [...] opera num campo de tensão entre a tradição e inovação, conservadorismo e renovação, cultura de massa e alta cultural”. Essa tensão ocorre principalmente nas questões de gênero, poder, sexualidade, sociedade, cultura, política; pela crítica à modernização, destruição do meio ambiente, e pela revalorização de culturas não europeias e não ocidentais. (op. cit)

……No entanto essa “emergência de novas identidades” é “fraturada” pela “erosão da ‘identidade mestra’” (HALL, 2006, p. 21). Stuart Hall em seu livro A identidade cultural na pós-modernidade argumenta “de que as identidades modernas estão sendo ‘descentradas’, isto é, deslocadas ou fragmentadas”. Nenhum indivíduo defenderia indubitavelmente uma só identidade ou ideologia, nem mesmo seria satisfeito com benefícios específicos para determinada identidade, mesmo que essa fizesse parte dele.

O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado;composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não-resolvidas.Correspondentemente, as identidades, que compunham as paisagens sociais ‘lá fora’ e que asseguravam nossaconformidade subjetiva com as ‘necessidades’ objetivas da cultura, estão entrando em colapso, como resultado de mudanças estruturais e institucionais. (op. cit., p. 12)

……Não há padrão para julgamento da realidade social e nem para orientar os interesses pessoais.

As pessoas não identificam mais seus interesses sociais [e culturais] exclusivamente em termos de classe; a classe não pode servir como um dispositivo discursivo ou uma categoria mobilizadora através da qual todos os variadosinteresses e todas as variadas identidades das pessoas possam ser reconciliadas e representadas. (op. cit., p. 20, acréscimo nosso)

……Segundo Hall (2006, p. 34-46) a “descentração do sujeito”, ou seja, a morte do sujeito cartesiano recebeu forte contribuição do que ele chama de “discursos de ruptura”. Esses discursos foram (I) os referentes ao modelo de Marx, em especial pela redescobertas de seu pensamento nos anos 60 que considera que os “homens (sic) fazem a história, mas apenas sob as condições que lhes são dadas”; (II) a descoberta do inconsciente por Freud, orientando que nossa sexualidade e a volição são “formadas com base em processos psíquicos e simbólicos do inconsciente”; (III) a descoberta de que as palavras têm significados mutantes por Ferdinand Seassure; e (III) os estudos de Foucault sobre as relações de poder e as estruturas disciplinares.

……Hall ainda tenta compreender o processo de globalização e conclui que existe um novo e instigante debate de revalorização do local o que provoca uma tensão, pois “o autor defende que a globalização tem um efeito contestador e deslocador das identidades centradas e fechadas de uma cultura nacional.” (apud TEIXEIRA, 2006, p. 163). harlon.romariz@advir.com

……Outro teórico muito importante para a compreensão do indivíduo na pós-modernidade é Bernard Lahire. Por meio de uma extensa pesquisa empírica Lahire conseguiu demonstrar que a cultura tem sua maior expressão em nível individual. Esse conhecimento traz grandes implicações para os conceitos de legitimidade social, crença, dominação, hierarquias, puro e impuro entre outros (2006, 15-17). Lahire propõem que se veja a cultura em escala individual levando a uma construção sociológica do indivíduo e alterando as formas de classificação e registro culturais. Em sua pesquisa percebeu “ambivalências, oscilações ou alternâncias [...] dentro de cada campo cultural e/ou de um campo a outro” (p. cit., p. 18,19) entre pessoas consideradas de um mesmo domínio cultural e entre a pessoa em si, o que ele chama de “variações intra-individuais”. Ele explica que esse fenômeno é um produto da interação entre “a pluralidade de disposições e de competências culturais incorporadas” e “a diversidade de contextos culturais” e considera que “a origem e a lógica dessas variações são plenamente sociais” (op. cit., p. 20) e não psicológicas.

VISÕES DE ÂMBITO FILOSÓFICO

……Uma marca do pós-modernismo que se arrasta desde o existencialismo é o conceito relativista. A medida que o ser humano experimenta temporalmente a realidade percebe que o modelo cartesiano é muito limitado. Não há como encontrar explicações generalistas e nem tentar estabelecer um padrão de interpretação da realidade, o que contribui para a deposição da racionalidade, desvalorizando assim discursos apologéticos.

……Outra crença bastante aceita no meio teórico seja a da “desconstrução das narrativas”. As narrativas/metanarrativas segundo Bruner (apud MATTOS, 2010, p. 589) são todas as histórias e narrativas formadas para representar “organizar a experiência humana”, Fivush (apud MATTOS, 2010, p. 589) ainda afirma que “narrativas são a maneira por meio da qual compreendemos e fazemos sentido de nossas experiências diárias, e esse processo ocorre nas interações sociais”. Por algum tempo se propôs rejeitar as narrativas e Lyotard chega a definir a condição pós-moderna como um estado de incredulidade em relação as metanarrativas, onde narrativas menores e múltiplas coexistem sem que nenhuma alcance legitimação universalizante (1984 apud HUTCHEON, 2002, p. 1), como foi com a Bíblia na Idade Média. Andreas Huyssen, no entanto, ao reconhecer que “narrativizar é uma necessidade humana fundamental” passa a concordar “completamente com a desconstrução de metanarrativas”, uma vez que as narrativas são necessárias para dar “significado (sentido)” (apud MAURÍCIO, 2009, p. 150) à vida humana e, o que deveríamos rejeitar, é seu conteúdo e não a narrativa em si.

REFERÊNCIAS

ADELMAN, Miriam. Visões da Pós-modernidade: discursos e perspectivas teóricas. Sociologias, v. 11, n. 21, p. 184-217, 2009.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. 102 p.

HUTCHEON, Linda. A incredulidade a respeito das narrativas: articulando pós-modernismo e feminismos. Labrys: estudos feministas, n. 1,2, p., 2002. Disponível em: <http://e-groups.unb.br/ih/his/gefem/labrys1_2/index.html&gt;. Acesso em: 09 mar. 2011.

HUYSSEN, Andreas. After the great divide: modernism, mass culture and postmodernism. Bloomington and Indianapolis: Indiana University Press, 1986.

LAHIRE, BERNARD. A cultura dos indivíduos. Porto Alegre: ARTMED, 2006. 656 p.

MATTOS, Andrea Machado de Almeida. Narrativas, identidades e ação política na pós-modernidade. Educação & Sociedade, Campinas, SP, v. 31, n. 111, p. 587-602. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302010000200015&nrm=iso&gt;. Acesso em: 14 mar. 2011.

MAURÍCIO, Ana Fabíola. Entrevista a Andreas Huyssen. Comunicação e cultura, n. 7, p. 141-151, 2009.

TEIXEIRA, Elizabeth. Resenha: a identidade cultural na pós-modernidade. Texto Contexto Enferm, v. 1, n. 15, p. 162-163, 2006.

Ignorância

Por José Rabelo

Adaptado por Harlon Romariz

harlon.romariz@advir.com

……Certa professora, chamou seu aluno Carlos Alberto, e deu-lhe uma missão escolar, teria que fazer cinco consultas com populares próximos a sua residência para que o ajudassem a responder a uma única pergunta e escrevesse tudo que ouvisse dessas pessoas. A pergunta é: “O que significa a palavra Sapiência?”

……O primeiro consultado foi o senhor Raimundo, seu vizinho. Ele respondeu que “sapiência” era a criação de sapos por alguns agricultores para combater os insetos que ameaçam a lavoura.

……O segundo entrevistado foi o vizinho da esquerda, o senhor Manoel, esse mais taxativo. Disse ao menino que não sabia o significado de “sapiência”.

……O terceiro falou que “sapiência” era o estudo científico dos sapos e de todos os outros batráquios.

……O quarto consultado foi o senhor Nicolau que respondeu ao jovem que “sapiência” significava – sabedoria, discernimento.

……Finalmente o quinto consultado, um homem esquisito, cabelo desalinhado, óculos de lentes profundas. Esse respondeu com outra pergunta – em que língua você quer que eu responda? Em alemão, francês, latim, dinamarquês ou grego? O garoto um pouco decepcionado e meio chateado respondeu – não precisa responder, uma vez que o senhor não consegue responder na língua em que estou falando.

……Por ter concluído a tarefa, levou o trabalho para a professora. Ela analisou e aproveitou para tecer os seguintes comentários:

- O primeiro entrevistado era ignorante (no sentido literal), talvez mentiroso e esperto.

- O segundo também não sabia, mas era sincero.

- O terceiro entrevistado, mais esperto que o primeiro, ainda inventou uma relação entre sapo e ciência para disfarçar sua ignorância.

- O quarto respondeu corretamente ao garoto.

- O quinto, Ah o quinto! Esse apesar de também possuir a verdade agiu com rispidez. E se mostrou o mais “ignorante” entre todos os outros, pois procurou se enaltecer por causa do seu conhecimento e domínio linguístico e não se importou tanto com a ajuda que deveria dar ao menino.

Invisíveis – IV

por Edmilson Rodrigues

Eis a  imagem  completa. Sob ela, a seguinte legenda: “Praça da República  -  tirada do  nascente”.  A  criança  de pés  descalços  não  está sozinha.  Faz  parte  de  um p e q u e n o   g r u p o   d e  vendedores ambulantes que por  ali  trabalhavam. Sua p r e s e n ç a   i l u s t r a   uma  paisagem  mais  ampla,  grandiosa:   a  Praça  da Repúbl ica,  recentemente urbanizada,   com  seus monumentos  imponentes, tendo  ao  fundo  o  Teatro  da Paz, símbolo maior do fausto da Borracha.

harlon.romariz@advir.com

Essa foto, cujo autor desconheço, faz parte de um rico Álbum de Belém, apresentado pelo Intendente Antônio  Lemos  à  Câmara  Municipal,  em  1906.  São  dezenas  de  fotografias, artisticamente  trabalhadas,  cuja  impressão  esteve  a  cargo  de Philippe Renouard,  rue  de Saint-Peres, 19, Paris. Nosso personagem viveu numa cidade  rica, a 4a maior do país naquele período. A  riqueza da Belle-Époque está por  toda parte,  inclusive no chão da praça que esses pés, descalços, pisam. A riqueza e a opulência daqueles dias da era de ouro da borracha estavam erguidas bem ali, em palácios de mármore importada da Europa. Mas, esses pés, repito, viveram e morreram sem  jamais entrar nesses colossos que, não obstante, estavam  tão perto e, ao mesmo  tempo,  tão  inacessíveis.

harlon.romariz@advir.com

Não sabemos nenhum detalhe acerca desse habitante de Belém. Ele passou pela história invisível,  sem  face,  sem  identidade própria, porque o que  interessou aos de  cima  foi  tão somente sua energia para  trabalhar, o seu suor derramado de sol a sol a  troco de quase nada. Um ser sem história, eis um sonho acalentado pelas elites. Para os que não abandonaram a perspectiva da  transformação social, cabe a  tarefa de buscar redescobrir a identidade das classes trabalhadoras, refazendo a trajetória de sua luta ao longo dos séculos. Com sua face trazida à luz, os explorados poderão desempenhar seu verdadeiro papel de sujeitos da história.

Os Invisíveis – III

por Edmilson Rodrigues

harlonAo  fundo,  o  Teatro  da  Paz.  A criança descalça adquire contexto, compondo  o  cenário  da  opulência de  uma  cidade  que  era  tida  como uma espécie de Paris dos trópicos. Naqueles  anos,  como  registra  a historiografia  oficial,  vivíamos  a euforia  de  um  poderoso  ciclo  de crescimento  econômico,  baseado na exploração da borracha, que foi capaz  de  enriquecer  uma  elite nativa, sem, entretanto, representar qualquer  vantagem  para  os  que viviam de seu próprio  trabalho.
Belém,  enfim,  se modernizava, mas  seu  povo,  herdeiro  das sangrentas lutas sociais da primeira metade  do  século  anterior,  continuava submetido a mais atroz miséria.

HarlonApesar do peso de tantos anos de esquecimento, cabe perguntar sobre se seria possível existir a Belém de 1906, data provável dessa  fotografia, sem que o  trabalho dos de baixo  fosse responsável pela criação de toda a riqueza, que ontem como hoje, permanece concentrada nas mãos de poucos.

Os Invisíveis – II

por Edmilson Rodrigues

Agora já é possível ver uma pessoa de corpo inteiro. É uma criança, pobre, negra ou índia, tanto faz. O fato é que integra a legião dos despossuídos, descartáveis em sua maioria, invisíveis, sempre. O que fazia essa criança de pés no chão quando o fotografo do início do século XX a flagrou? Ela não é o objeto central da atenção do artista, certamente. Está ali por um acaso. É um detalhe, e como tal permanecerá esquecido.

Os Invisíveis

Essa é uma série de textos publicados em março de 2006, pelo então prefeito de Belém-PA Edmilson Rodrigues. Com sua devida autorização vou re-publicar esses textos aqui semanalmente. Abaixo segue o primeiro!

Os Invisíveis – I

por Edmilson Rodrigues

Observe detidamente a  figura acima. São pés descalços, comuns, como  tantos. Mas, não se deixem enganar pelas aparências, são pés muito especiais. De quem são? Certamente não pertenceram a alguém bem nascido, filho das chamadas “classes produtoras”, ou melhor, das também  conhecidas  “famílias de bem”. Não,  trata-se de um pobre, provavelmente negro, talvez  neto  de  escravos. O  chão  que  ele  pisa  é  de Belém,  há  exatamente  100  anos,  no alvorecer do século XX.

Qual seu nome? Qual sua história? Como terá vivido e sobrevivido esse homem (ou será uma  criança?)  naqueles  dias  em  que  a  humanidade  vivia  momentos  de  alucinantes transformações?

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Fonte (a única fonte disponível, pois o blog do autor tem seções inválidas):
<http://www.uniblog.com.br/edmilsonrodrigues/49287/os-invisiveis—4.html&gt;