Resumo do Capítulo: Onde surgiu e como se desenvolveu a democracia? Uma breve história

DAHAL, Robert. Onde surgiu e como se desenvolveu a democracia? Uma breve história. In. Sobre a democracia. Brasília: Editora UNB, 2001, p. 17-35.

      O capítulo dois de “Sobre a Democracia” vem para tentar entender, de maneira bem breve e elementar, como se deu o desenvolvimento daquilo que conhecemos de “democracia ou república”. Robert Dahal, usa um pequeno apanhado histórico, começando desde das formas primitivas de organização política, passando pelas cidades-estados gregas e por Roma, até chegar à Inglaterra e Estados Unidos. Nesse começo o autor procura defender a existência da “lógica da igualdade” e demonstra como as organizações na Grécia e Roma passaram por inúmeras modificações, mas nunca foram de fato organizações plenamente democráticas, e muito menos representativas.

     Ao longo do texto ele vai mostrar vários outros exemplos de organizações políticas, no norte da Europa, cita a região nórdica, anglo e consegue juntar informações suficientes para argumentar que as manifestações de “governos populares” nunca foram de fato democráticas. Ele levanta pelo menos quatro argumentos nesse sentido: (I) mesmo nas formas mais complexas e em países mais auspiciosos, a desigualdade sempre existiu, e fora sempre uma limitação muito forte; (II) onde existiam parlamentos ou assembleias, essas nunca eram suficientemente poderosas para fazer frente as monarquias; (III) os representantes do “povo”, não passavam de representantes de uma única classe, a dos homens-livres. Existia uma enorme quantidade de escravos, subordinados e servos que nunca tomaram decisões, mesmo sendo um grupo muito significativo em termos de números; (IV) os conceitos políticos eram poucos conhecidos, e existiam fortes limitações educacionais para que todos pudessem participar, além disso a liberdade de expressão sempre foi muito tolhida.

     Finalmente o autor vai chamar atenção para o fato de que a democracia é uma forma de organização política que não possui “forças históricas” suficientes que garantam que a mesma sobreviverá ou sempre ascenderá. A história mostra, muito pelo contrário, que há possibilidade de queda (como na idade média) ou mudança, de um sistema mais “popular” por outro mais autoritário. Como o próprio autor diz: “aparentemente, a democracia é um tantinho incerta”, e que vai depender muito das construções e ações que ocorrem no presente.

Resumo do artigo: O calcanhar metodológico da ciência política no Brasil.

SOARES, Gláucio Ary Dilllon. O calcanhar metodológico da ciência política no Brasil. Sociologia, Problemas e Práticas, n. 48, p. 27-52. 2005.

                Para o autor, a Ciência Política enfrenta um período difícil, em especial no Brasil. Essa dificuldade estaria relacionada a falta de habilidade por parte de muitos professores e pesquisadores em utilizar com proficiência os métodos científicos, sejam eles quantitativos ou qualitativos. Sua Abordagem inicia na tentativa de valorar os métodos quantitativos diante de uma tendência de valorização das formas qualitativas de pesquisar que se mostra muito presente nas pesquisas das ciências humanas atuais.

Ele utiliza pesquisas de vários autores dentre eles Valle Silva, Maria Helena, Marcelo Coutinho, Werneck Vianna, entre outros que analisaram a presença do método quantitativo em vários periódicos científicos, nacionais e de outros países. Esses dados são utilizados pelo autor para demonstrar a preferência atual pelos métodos qualitativos e aproveita para criticar fortemente os argumentos pelo qual muitos fazem rejeição a qualquer metodologia quantitativa. O autor dá início então há uma série de críticas e posicionamentos que tenta convencer que a maior parte das pesquisas realizadas (em ciência política e sociologia) são construídas sem um “rigor metodológico” ou que demonstre fina habilidade no trato com dados, seja da forma quantitativa ou qualitativa. O autor argumenta também a necessidade de não-oposição quali-quanti e que o possível uso de ambos pode enriquecer ainda mais as pesquisas e que os avanços tecnológicos atuais permitem ao pesquisador trabalhos com um montante ou massa de dados bem maior. Ele propõe uma espécie de integração do método qualitativo ao quantitativo onde as novas técnicas quantitativas seriam utilizadas no processamento de dados qualitativos, esses últimos, ótimos para gerar hipóteses.

O autor aproveita o assunto e tece comentários sobre o que ele chama de “colonialismo teórico” fazendo referência ao grande número de pesquisadores americanos e europeus que são estudados no Brasil em relação aos pesquisadores da América Latina e de países do Terceiro Mundo. Também demonstra o perfil de vários periódicos internacionais e discute as relações entre exigências, taxas de rejeição e impactos na comunidade científica característico de vários periódicos internacionais.

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Resumo do capítulo: Sociologia e Sociedade Industrial

FORACHI, Marialice; MARTINS, José de Souza. Sociologia e Sociedade: leituras de introdução à Sociologia. 21. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1994.

            Diante da nova ordem econômica, verificada com as revoluções industriais, percebe-se que a sociologia desempenha um papel preponderante no contexto da análise, estudo e esclarecimentos quanto aos aspectos de uma sociedade industrial.

Com o passar do tempo, e por meio das mudanças históricas, que ocorrem com a suplantação das ideias, percebe-se que existe uma extrema e positiva necessidade de adaptação, contextualização e produção ideológica que possa refletir as novas, características, formas e parâmetros do mundo moderno e/ou pós-moderno.

A sociedade industrial bem como a sociologia se originaram concomitantemente, como faces de uma mesma folha. A sociedade já no seu estágio complexo produz a sociologia, assim como essa última caracteriza e tenta conceituar seu objeto de estudo. O início do estudo sociológico está forçadamente relacionado com o período grego, com os primeiros filósofos, que apesar de terem percepções de cunho social, não objetivaram e nem sistematizaram nenhum processo, problema ou estrutura social. A sociologia então, veio tomar passos mais consistentes a partir do século XIX, com trabalhos bem mais consolidados e estabilizados quanto à investigação científica.

Outra questão marcante na sociologia se encontra no estudo das desigualdades sociais, que está totalmente aliado a idéia de sociedade industrial, uma vez que em oposição ao absolutismo, o movimento liberal prometera um fim às diferenças econômicas entres os indivíduos, o que de fato não ocorreu.  Esse processo de estabelecimento do capitalismo e suas idéias liberais ocorreram com o proceder das revoluções industriais, e a sociologia acompanhou, a priori, de maneira pusilânime os aspectos da sociedade ou do bojo social. Contudo, com o fortalecimento do sistema, as transformações sociais de ordem econômica e política surgiram de forma nova, forte, nítida e marcante levando à um contraste e desigualdades não vistas anteriormente e ainda sob o argumento falacioso que vencera o absolutismo. Essas transformações e nova formatação das desigualdades deram suporte a formulação de conceitos, estudos e trabalhos que puderam esclarecer de maneira mais satisfatória tais processos. A sociedade industrial carrega consigo outros aspectos e problemas impreteríveis para uma análise mais consistente. Dentre esses aspectos se destaca o (i) conceito de sociedade de consumo, caracterizada pela contínua dependência do consumo, baseada no princípio individualista do “ter”; (ii) o problema da comunicação de massa, que segundo algumas concepções seria fruto de uma ação de um grupo ideologicamente orientado pelo crescimento e desenvolvimento do capital, propagandas, joguetes e peças publicitárias construídas com fins exclusivamente mercadológicos.

Outro problema seria o individualismo produzido como condição dentro de uma sociedade de consumo, essa estimulada pela era industrial, esse problema procura a valorização do “ter” em detrimento à construção do “ser”, no entanto essa situação também tem um lado positivo quando colocada a questão da maior mobilidade social, alcançada por consequência de esforço individual ou condição previamente conquistada.

            A sociologia ao olhar a sociedade de consumo estabeleceu objetivos gerais que tentam explicitar a forma funcional e estrutural, assim como caracterizar e prevê os efeitos, procurando constantemente pela melhoria e pela justiça convencionada. No entanto, o conceito de sociedade industrial tem sido concebido de maneira generalizada, sem considerar os aspectos particulares de cada economia, suas funções e determinantes mais efetivos. Ao considerar que as diversas economias são semelhantes a sociologia demonstra seguir uma tendência científica mais naturalista, contudo, com a complexidade das comunidades atuais os sociólogos começam a serem impelidos à particularização e personalização do estudo, abrindo espaço para a antropologia e psicologia social.

Outro aspecto a considerar seria a carência de um marco teórico que fosse utilizado como aporte, o que se verifica atualmente é uma crescente “acumulação, suspeita e tendenciosa” de percepções e supostas teorias. Alguns sociólogos afirmam ser a sociedade de consumo, com todas as suas características, como um processo resultante da “dominação das classes”, da orientação efetivada pelos dos burgueses, por aqueles das camadas sociais mais “elevadas”, pelos os burocratas e técnicos da base formadora da sociedade industrial. Essa orientação estaria se materializando em diversos momentos e espaços, dentre esses encontram-se as ações de comunicação de massa que tentam descartar a imagem de “dominante”.

A sociologia por muito tempo foi observada como um simples estudo de casos sociais, hoje é reconhecida como ciência; apesar do seus métodos abstratos e do seu objeto que é de natureza humana, e tem auxiliado na formação e propagação de valores convencionados ou não na sociedade.

Resumo do capítulo: A Construção do Pensamento Sociológico no Brasil

FERREIRA, Delson. Manual de Sociologia: dos clássicos à sociedade da informação. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

 

            O fim do segundo período monárquico brasileiro deu início a uma nova configuração social e política, processo acompanhado da embrionária Segunda Revolução Industrial Européia. O Brasil progressivamente se inseria no contexto urbano de desenvolvimento e vivência, aumentado o consciente populacional e a participação política da população. Nesse período houve também um exponencial crescimento na produção de café que gerou capital suficiente para se iniciar investimentos na carente e primária infra-estrutura brasileira. O Brasil começava então a crescer e por consequência, foi influenciado pela conjuntura social mundial da  época.

           A sociologia no Brasil começou seu primado desenvolvimento no século XX e alguns críticos brasileiros iniciaram estudos em assuntos como a concepção positivista, a teoria do fato social de Durkheim, aspectos do pensamento do etnógrafo de Ratzel, e outros. Dentre os primeiros estudiosos destacamos: Sílvio Romero, Paulo Egídio, Euclides da Cunha e Oliveira Viana. Este período foi marcado por fortes contribuições recebidas pelo Brasil que vinham ao encontro de uma sociedade nacionalista, e agora, intelectual somando-se a isso o estabelecimento da classe burguesa brasileira. Esses fatores foram a pressão comercial britânica que pôs fim ao tráfico de escravos, aumentando o fluxo migratório europeu para o Brasil; a proclamação da república com bases positivistas; e reformas que modificavam as conjunturas políticas e sociais mais latentes.

           Com o estabelecimento da classe burguesa brasileira algumas medidas ou projetos ideológicos foram surgindo, como, a modernização nacional, as medidas protecionistas, e a procura por uma identidade cultural nacional, entre outros exemplos. O pensamento sociológico no Brasil foi oriundo de uma síntese dessas circunstâncias com os estudos históricos, literários e reflexão sociológica, as três primeiras décadas do século XIX foram palcos para o pensamento sociológico embrionário.

            As diversas reformas no ensino brasileiro foram as portas para introdução da disciplina de sociologia, de formação clássica no ensino básico, o que foi sequenciado posteriormente na formação universitária. Alguns estudiosos tiveram suas formações em outros países e introduziram no Brasil suas idéias, dentre esses se destacam: Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Fernando Azevedo e Sérgio Buarque de Holanda. Na década de 1930 Getúlio Vargas, imbuído de uma concepção burguesa, tentou fortalecer o poder do executivo, a fim de modernizar o processo capitalista no Brasil, o que levou à fundação dos primeiros cursos superiores voltados para a área sociológica. Esses cursos contaram com a participação maciça de professores estrangeiros, em especial europeus, levando a formação da primeira geração de sociólogos nos anos 30 e 40, dando continuidade em posteriores gerações. Esse passo fundamental constituiu a sociologia brasileira carecendo apenas de uma consolidação teórico-científica.

           Na segunda metade do século XX, partícipe da primeira geração de sociólogos brasileiros, destaca-se Florestan Fernandes, que defendia que sociologia havia tomado duas macros vertentes: (I) econômica, voltada para o estudo do desenvolvimento; e (II) sociológica, que se dividiu em experiência paulista e visão nacionalista. Florestan Fernandes se dedicou a aspectos estruturais, tais como formação das classes sociais, advento e efeitos do capitalismo e evolução histórica da sociedade brasileira. Florestan foi um sociólogo dedicado e não se eximiu de elaborar um rigoroso trabalho teórico-científico, e apesar desta ocupação, não deixava de se envolver na prática política e na militância. Ele recebeu influência de Marx, Lênin, Dobb, Baran e Sweezy, contudo a maneira como absorvia essas influências passava por um crivo pessoal e meticuloso. A sociologia em Florestan se dava a partir de uma análise estrutural da sociedade, sendo seu objetivo nuclear a dominação burguesa e as alternativas de emancipação a essa dominação. Para Florestan, segundo Francisco de Oliveira, os estágios de desenvolvimento convencionados pela sociedade não existiam, mas sim uma forma de objetivação do capitalismo. Para ele o período colonial, marcada pela dependência do capital estrangeiro, não seria uma fase ou estágio, mas sim uma forma de agir, de como se objetiva o processo. Ele acreditava que a introdução do capital no Brasil se deu de maneira abrupta e não civilizatória, para ele era necessário a manutenção do movimento social, o que modernizaria o sistema social e tornaria a sociedade mais participativa e beneficiária nos/dos processo econômicos e sociais.

Resumo do capítulo: O que é uma instituição social?

BERGER, Peter; BERGER, Brigitte. O que é uma instituição social? IN: FORACCHI, Marialice; MARTINS, José de Souza (ORG.). Sociologia e Sociedade: leituras de introdução à Sociologia. 21 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1994.

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AdO conceito de instituição social é oriundo da percepção de que a sociedade é institucionalizada pelos moldes de uma Convenção Social. Instituições são criadas em resultado dos naturais contratos sociais que os indivíduos estabelecem entre si, tornando-se elas alheias a vontade particular e sendo necessárias e obrigatórias a todos os entes sociais.

AdAlguns aspectos particulares norteiam de maneira mais latente o conceito de instituições sociais: a obrigatoriedade, o reconhecimento legal e as características fundamentais. Que geram uma visão comum quanto as formas das instituições sociais, estas que a priori são exatamente órgãos públicos, o Estado, a economia, a família, o sistema educacional, entre diversas outras que apresentam geralmente um componente físico visível ou outro aspecto mais “palpável”. Entretanto, o conceito de instituição social, quando tomado de uma visão menos unilateral é solícito a percepção de uma instituição fundamental: a linguagem.

Ad A linguagem seria a primeira instituição com que o infante teria contato, muito antes mesmo de estabelecer vínculos psicossociais com a família. É unicamente por meio da linguagem que se estabelece inúmeras relações, nas suas mais diversas formas, com as quais a criança tem contato com o mundo. Suas primeiras percepções ocorrem senão pela linguagem, e passa a percebe o mundo transmitido por meio dessa nata e potencial capacidade.

Ad A linguagem também seria a instituição primordial para concretização, consolidação e significação da realidade. O mundo real é objetivado e os objetos são perfeitamente distinguidos e identificados tornando-os cognoscíveis. É por meio da linguagem que se estabelece as relações de poder e se transmite os moldes da cultura, os papéis são apresentados e estabelecidos, e inicia-se o processo de socialização na tomada contínua dos nichos alheios. Por fim a linguagem tem uma capacidade de especificar e fixar a idéia dos papéis e possibilita construções racionais, guiadas e independentes. A mesma linguagem convencionada assim como uma instituição, é a garantia de justificação para o estabelecimento de poderes, papéis e relações de poder, além de ser o meio pela qual se orienta a sociedade em cooperação ao que é construído ou estabelecido, ou pelo menos, dar possibilidade de regimentar determinadas questões em benefício de grupos ou do todo social.

Ad As características fundamentais das instituições são sistematicamente: (I) a exterioridade: pois todas as instituições são estabelecidas pelo corpo social, independente da particularidade dos indivíduos, as instituições são exteriores à vontade da pessoa única, e tal característica se aplica a linguagem, uma vez que a mesma é pré-estabelecida e exterior a vontade do homem, em especial da criança, que a apreende sem questionamento. (II) a objetividade: todas as instituições são oriundas de um processo impulsionado por uma necessidade, por isso são todas dotadas de grande objetividade. A sociedade só aceita determinada instituição quando propõe algo importante e objetivo, a linguagem possui o objetivo maior de proporcionar a Comunicação e diversos outros fatores dependentes desse processo que em nenhuma situação é rejeitado pelo infante; (III) a coercitividade: para efetivação da instituição social é necessária que a mesma tenha força coercitiva, sua aceitação social lhe confere tal característica, impondo a todos o respeito ou auxílio a determinada instituição. Da mesma forma a linguagem, que é aceita e dominada pelo meio e imposta ao novo ser social. Além disso a sociedade desenvolve diversas categorias sociais, cada uma delas com um sub-padrão de linguagem, coagindo o indivíduo a usar a linguagem conforme o ambiente e situação, essa coação geralmente não resulta em punição física ou repressão sistematizada, mas desconforto moral. (IV) a autoridade moral: é algo implícito das instituições sociais, todas possuem uma autoridade que as justificam. Conforme a necessidade e origem, essa autoridade pode variar em graus, poder institucional e/ou poder de coerção, e o enquadramento dos indivíduos pode ocorrer de diversas maneiras e formas. Tudo em atendimento à autoridade pré-estabelecida. A linguagem também possui autoridade moral, seus usuários geralmente criam vínculos pessoais, culturais e comerciais a ela, conferindo-lhe autoridade, sendo necessária respeitá-la incondicionalmente. Por fim, verifica-se a (V) historicidade: o fato de ser exterior ao indivíduo indica esse fator fundamentalmente comum nas instituições. Todas possuem história, precedem no tempo, assim como a linguagem, que como rio flui por meio das épocas, sofre dinâmicas, mas permanece se impondo como instituição pétrea, e é por isso para Karl Kraus a linguagem é a “habitação do espírito”.

Resumo do artigo: O que mudou na Família Brasileira? (Da colônia à atualidade)

SAMARA, E. M. O que mudou na Família Brasileira? (Da colônia à atualidade). Psicologia USP, v. 13, n. 2, p. 27-48, 2002.

 

            Os estudiosos da família brasileira sempre concluíram um modelo segundo a obra de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala (Freyre, 1987). Mas essa imagem de família extensa e patriarcal nem sempre foi o único modelo real, ou o mais dominante no Brasil.

            Os estudos acadêmicos recentes têm mostrado um quadro da família divergente do tradicional, e que nos tempos contemporâneos esse quadro pode ter modificado mais fortemente. Temos realmente uma nova família no Brasil, neste momento? A complexidade dessa pergunta requer um estudo mais firme e histórico.

            Do primeiro Censo Geral do Brasil (1872) até o censo de 1996 se verificou um aumento na porcentagem de mulheres (de 48,40% para 50,79%), em algumas áreas urbanas a população feminina é dominante. A participação populacional das mulheres na sociedade brasileira sempre foi muito marcante, bem como sua participação nos postos de trabalhos e na liderança de várias famílias, predominantemente nas áreas urbanas e em regiões de grande exponencial econômico. Em 1995, por exemplo, as mulheres representavam 39,88% do número total de indivíduos com ocupações formais.

            Apesar da grande participação das mulheres, tanto na liderança das famílias (principalmente das famílias pobres), quanto na ocupação dos postos de trabalhos até desde muito tempo atrás (em 1872 as mulheres representavam 26,35% da força de trabalho), elas nem sempre gozaram plenamente dos seus direitos políticos, e os homens por muito tempo eram juridicamente declarados como responsáveis e líderes para vários assuntos.

            Outro quadro revelado pelas estatísticas e que contradizem Freyre (1987), á quanto a forma das famílias, que segundo ele eram majoritariamente extensa e patriarcal. Em 1836 as famílias nucleares representavam 35,4%, contrapondo 1,2% de famílias extensas, e em 1991 as famílias nucleares e compostas juntas representavam 79,27%.

            O que se tem visto pelas estatísticas é que as famílias variam conforme suas realidades culturais, sociais e econômicas ao redor. E que uma visão uniforme da composição e prática familiar brasileira, mesmo em relação ao passado, está longe de representar a realidade, uma vez que ela é complexa e multifacetada. O grande desafio da academia hoje é continuar os estudos a cerca da família, e ultrapassar os resultados estritamente históricos e estatísticos.

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Referências Complementares

BARICKMAN, Bert Jude. Um contraponto baiano. São Paulo: Civilização Brasileira, 2003.

PAIVA, Eduardo França. Escravos e libertos nas Minas Gerais do Século XVIII. São Paulo: Annablume, 1995.

Resumo do Capítulo “Expectativas paternas e experiências dos estudantes num internato: referências para o desenvolvimento de uma prática pedagógica mais ampla”

SILVA, Demóstenes Neves da; RABINOVICH, Elaine Pedreira. Expectativas paternas e experiências dos estudantes num internato: referências para o desenvolvimento de uma prática pedagógica mais ampla. In: MOREIRA; CARVALHO (Coord.). Família e educação. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 140-163.

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      Este texto é parte de um estudo mais amplo que procurou compreender as trajetórias de jovens num internato, localizado em Cachoeira-Ba, denominado Instituto Adventista de Ensino do Nordeste (IAENE).

      O internato surge como instituição educacional no seio europeu a partir da concepção pedagógica de que a formação do homem ideal poderia ser obtida com a separação da criança da sociedade, visando o preparo acadêmico e moral do educando. Existem argumentos a favor e contra o sistema de internato, principalmente contra os internatos que seguem modelos mais remotos e /ou tradicionais.

   Bronfenbrenner considera as capacidades humanas e suas realizações significativamente dependentes do contexto social e institucional mais amplo. Chamou atenção para a interação de vários níveis, os quais influenciam e são influenciados por fatores presentes e ausentes. Ele apresenta quatro elementos desenvolvimentais: o processo, a pessoa, o contexto e o tempo.

    As perspectivas e expectativas paternas encontradas nos questionários e nas conversas informais veem o internato como: (I) compensação, sugerindo que as famílias não conseguem suprir todas as necessidades educacionais e não se acham capazes de transmitir aos filhos os valores que julgam necessários; (II) fator de crescimento do filho, o fato dos alunos estarem expostos a diversas decisões e situações os prepararia para a vida, assim o internato teria a vantagem de tornar os filhos em pessoas “responsáveis” e “independentes”, (III) além do mais os pais esperam que o internato supra as necessidades dos filhos, sendo diligente e cuidadoso para com eles; (IV) desenvolvimento acadêmico, o fato de o aluno possuir diversos recursos como sala de estudo e horários programados ou uma estrutura rica (como a biblioteca) em equipamentos leva os pais a terem mais essa expectativa.

      As perspectivas dos internos foram qualificadas por meio do método de fotografias e grupo focal. Algumas dessas perspectivas ou aquilo que alunos consideraram condições e oportunidades favoráveis à experiência no internato foram: as condições de estudo, o trabalho, o desenvolvimento pessoal, aprender a se relacionar, trabalhar duro, ser competente e cumprir regras.

     Existem os fatores que não satisfazem aos alunos internos e que podem produzir diversas trajetórias dependendo das condições biopsicológicas do indivíduo. (I) A limitação do espaço livre, (II) as gestões autocráticas, (III) ausência de diálogo aberto e franco, (IV) e a exclusão da família e dos alunos na tomada de decisão que interfere no grupo, são esses os fatores negativos. As trajetórias decorrentes que podem possivelmente serem tomadas pelos filhos-alunos e que estão na perspectiva de Bronfenbrenner, são: sentimento raiva, agressividade, transgressão, depressão (no sentido de auto-anulação), paralisia (acomodação), fuga ou abandono e demonstração aparente de obediência. Essa reação pode se dar com/nos (os) diversos níveis (microssistemas, mesossistemas, macrossistema) pela qual encontrasse o indivíduo.

   Assim é possível referenciar o desenvolvimento de uma prática pedagógica mais ampla, primeiramente para o contexto do internato, mas também com outras aplicações indiretas. É necessário avaliar as expectativas paternas e dos estudantes, além de tentar manter ao máximo uma estrutura que garantam a satisfação de suas necessidades e vontades. Sem a presença dos fatores promotores da tensão.

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Links sobre o assunto:

“Conheça Summerhill, a escola em que o aluno pode (quase) tudo” (Revista Nova Escola)

Resumo do capítulo “A origem do conflito no casamento”

LEWIN, Kurt. A origem do conflito no casamento. In: Lewin, Gertrude Weiss (Org.). Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo: Cultrix, 1979. p. 101-117.

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      O grupo social pode ser entendido como um determinante fundamental do espaço de vida. Pode ser visto como o solo que sustenta o indivíduo, e o casamento é um desses legítimos grupos.

      Um grupo pode fazer parte de um grupo mais extenso, ou, um indivíduo do grupo pode fazer parte de diversos outros grupos. Em cada um desses grupos em que o indivíduo participa existem aspectos atrativos que o levaram até eles. Cada grupo possui um grau de influência sobre o indivíduo e o casamento é um dos grupos que mais influi sobre a pessoa e que, portanto, pode gerar uma diversidade e intensidade (grau e número) de expectativas e conflitos maiores do que em qualquer outro grupo.

      O grupo possui vários significados para o indivíduo. O grupo é primeiramente o espaço em que se constrói a realidade cultural, é o meio pela qual o indivíduo alcança seus objetivos e se realiza, o grupo é o espaço para que a pessoa exista como uma parte, e finalmente é o espaço de vida do indivíduo.

   Todo grupo apesar dos inúmeros benefícios que traz a vida do indivíduo, impõem sobre ele diversas restrições, posturas; requerendo do mesmo adaptação e obediência.

      O casamento, como um legítimo grupo, também possui atrativos e restrições. Todo indivíduo que chega ao matrimônio espera que esse possa lhe proporcionar benefícios emocionais, enquadramento social, prosperidade, satisfação sexual, segurança, entre outros. Contudo, o casamento também possui suas restrições e requer muita adaptação por parte dos cônjuges. Muitos dos conflitos do casamento surgem basicamente por três motivos: pelo grau de carência e satisfação que pode estar baixo, pela quantidade de espaço livre da pessoa que pode estar em dosagem errada, e por existirem barreiras externas que criam tensão.

      O casamento apesar de também ser um grupo, possui características singulares como o grau de privacidade, que é baixíssimo, e a hipersensibilidade pelas necessidades dos outros.

      O significado que o casamento tem para o indivíduo varia bastante. Pode significar um estado relativamente arbitrário; como meio para um fim (ex. influência social e poder); como um fim em si mesmo; ou simplesmente como uma vida em comum. Alguns conflitos surgem também pelo fato dos casais participarem de inúmeros outros grupos sofrendo influências dos mesmos (como da família externa ou ciúme).

      Os conflitos no casamento podem ser solucionados quando há equilíbrio entre a postura dos cônjuges quanto há (I) concessão de liberdade, quando os (II) objetivos são comuns, e quando a (III) atmosfera do casamento é positiva.

Summary ”Finished the Wealth: The global foods crisis”

BOURNE, Joel K. Acabou a fartura: A Crise Global dos Alimentos. National Geographic Brasil. São Paulo, n◦ 111, p. 46-79, jun. 2009.harlon.romariz@advir.com

……In last years have seen an increase in the costs of foodstuffs, causing a series of setbacks. Only between 2005 and mid 2008 registered a abrupt increase in the prices basics foods, launching more than 75 millions people in poverty. Specifically in 2007 registered the lowest level of foods stocks, 61 days of global consumption, signaling a possible global food crisis. This situation affect, is most strongly, a vulnerable group of 1 billion people who generally spend between 50% to 70% of their income on food. Other factors such as the implosion of the global economy, climate changes, population growth, low food stocks and reducing the rate of growth in agricultural production makes the picture even more worrisome.harlon.romariz@advir.com

……“So what’s the solution to a world increasingly hot, crowded and hungry?” That is the question that begins to go into academia and government circles. The probability of population, even to this century, is 9 billion people and we would need double food production until 2030 as says the Consultative Group on Agricultural Research. As in the past, it is necessary a new “green revolution”, but now in front of some environmental issues, social and at half time.harlon.romariz@advir.com

……From the earliest periods of human civilization has always been equated the need food with the agricultural production, however, that stability has been questioned even in the 18th century. Thomas Robert Malthus, the British mathematician, drew attention to a possible demographic collapse. According to his pessimistic predictions, the population for its geometric increase, would reach a total level of imbalance and offerings of food were no longer sufficient. For him any measures could be taken, as the birth control, postponement of marriage and sexual abstinence, otherwise, involuntary restrictions might incur as the wars and diseases. However, for the immediate frustration of Malthus, nothing happened even before the two centuries of population growth. The industrial revolution triggered techniques and methods that maximized agricultural production and a so-called “green revolution” has secured enough food for everyone.harlon.romariz@advir.com

……The agricultural improvements occurred in all five continents, several countries have gone through the “green revolution”, with immediate results very positives, but with certain consequences and difficulties that need to be seriously evaluated. Among these places there is China now including some political conflicts; Africa with good economic results with more sequels to the health of people; Brazil in its considerable agricultural technology and high grain yield, sacrificing, yet some ecosystems such as Amazon, or even in the region of India and Bangladesh at the expense of the insecticides and decreased range of species. The “green revolution” that we have experienced since 1960 is “a system that merges irrigation, high-yield seeds, pesticides and fertilizers” and of course such facts before we start to think if there was possibility of “a new green revolution?”harlon.romariz@advir.com

……A solution varied, responsible and shared could perhaps allay the impending crisis. Neither the authorities, the mass intellectual and even the public would be convenient with a new “green revolution” that would entail at least some of the problems already caused by the first. Any measure must go through the filter of past experience and through new horizons and imperatives that are present in contemporary society.

Resumo do capítulo: Resiliência no indivíduo e na família

SILVA, Célia Nunes. Resiliência no indivíduo e na família. In: JACQUET; COSTA (Ed.). Família em mudança. São Paulo: Companhia Ilimitada, 2004, p. 177-192.

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……A idéia de resiliência foi inicialmente aplicada à psicologia, ao estudar o próprio indivíduo danificado pela família tida como disfuncional. Posteriormente descreveu-se a resiliência familiar de um modo que a família estressada não mais era considerada disfuncional, mas como desafiada por determinados obstáculos. Na Física, a resiliência de um material corresponde à energia de deformação máxima que esse é capaz de armazenar sem sofrer danos permanentes. Nas ciências sociais é tido como a capacidade que as pessoas e os grupos têm de passar por diversas circunstâncias negativas ou obstáculos, tentando minimizar ou superá-los ao máximo.

……O progresso das pesquisas sociais, em especial as da década de oitenta revelaram que a capacidade de resiliência é diversa entre as pessoas e grupos. Grupos homogêneos casualizados em mesma situação de estresse ou dificuldade reagem de maneira diversa, como o caso das crianças pesquisadas. Assim e ao longo de mais estudos foi possível perceber os vários mecanismos socialmente aceitáveis que indivíduos e comunidades utilizam na lida dos problemas e tensões cotidianos.

……Resiliência no contexto social não é mera sobrevivência e também não pode ser considerada como invulnerabilidade. A resiliência é a capacidade, onde se soma vários fatores, que possibilitam o melhor enfretamento dos problemas, o que não significa sair deles sem nenhuma sequela. Essas variáveis ainda mostram que a resiliência é relativa e depende tanto das bases constitucionais do indivíduo quanto ambientais que o cercam.

……São vários os conceitos e temas relacionados a resiliência. O primeiro a ser destacado e ó conceito de Risco, que são toda a sorte de eventos negativos da vida, e que aumentam a possibilidades de problemas de inúmeras ordens. O conceito de Vulnerabilidade se opera quando o risco está presente. São as complexas interações entre as forças individuais e fatores ambientais, como por exemplo, a existência ou não de suporte social relacionados a outros fatores e que são uma das causas da diversidade de respostas dadas pelas pessoas. Stress pode ser entendido como a percepção que a pessoa e o seu corpo tenham de determinada situação, interpretação do evento estressor. Coping pode ser considerado o oposto do stress é a capacidade que permite ao ser humano de lidar positivamente com a adversidade. Finalmente tem-se os Fatores de proteção que são as qualidades do indivíduo (constitucionais ou sociais) como pessoa, esse fatores podem ser internos ou externos e que reduzem o efeito do risco.

……As formas de estimular a resiliência são sistematizadas em cinco áreas: a. redes informais de apoio e uma relação de aceitação incondicional da [...] pessoa; b. capacidade para descobrir significado, sentido e coerência da vida, em estreita relação com uma fé religiosa; c. aptidões sociais e capacidade para resolver problemas, bem como controle sobre a própria vida; d. auto-estima e concepção positiva de si mesmo; e. senso de humor.

……Segundo o texto há dois mitos concernentes a família que perpetuam uma visão inflexível. O primeiro é a crença de que existem “famílias normais” sem nenhum problema ou conflito, visão essa que acaba “patologizando” as dificuldades naturais que tais grupos possuem. O outro mito é definir a “família normal” como a familiar nuclear de pai, mãe e filhos, desconsiderando todas as outras formas legítimas de famílias, que fogem aos papéis tradicionais de gênero e modelos idealizadores.

…… Alguns processos são reconhecidos como meios de estímulo a um bom desempenho familiar e ao bem-estar dos seus integrantes, esses são: coesão, flexibilidade, comunicação franca e verdadeira, capacidade para resolver problemas, disponibilidade de recursos comunitários e sistemas de crenças compartilhados. harlon.romariz@advir.com – adobservare.worpress.com