Comentários sobre o livro Antropologia da Política

KUSCHNIR, Karina. Antropologia da política. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.

harlon.romariz@advir.com

…..Escrito pela antropóloga Karina Kuschnir, Antropologia da Política traz um panorama sobre este “novo” campo de estudos dentro da antropologia social. harlon.romariz@advir.com

…..Karina Kuschnir é carioca, jornalista; é mestre e doutora em antropologia social, leciona para o Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e já atuou em várias outras instituições nacionais e internacionais, além de ser considerada como referência em antropologia da política no contexto brasileiro. harlon.romariz@advir.com

…..O livro inicia com uma abordagem histórica sobre este campo de estudo que vem se fortalecendo e ganhando interessados, em vários países e universidades mais voltadas para as ciências humanas. A proposta baseia-se na necessidade do descobrir/conhecer a lógica pela qual a política acontece, que no caso brasileiro, é fortemente marcado pela relação de clientelismo e comensalismo. Karina fala ainda do processo histórico do estudo em antropologia da política no Brasil, suas peculiaridades; e comenta, gradualmente e estrategicamente, uma diversidade de pesquisas e livros publicados por outros antropólogos e pesquisadores que se interessam na descrição e compreensão da lógica política, do voto e da relação político-eleitor. Ela também apresenta diversas situações, dicas e métodos que os antropólogos poderiam considerar ao intenderem na realização de pesquisas nesta área, que por sinal carrega inerentemente questões éticas e legais muito delicadas. A leitura é agradável e de livre acesso, sendo ótimo para leitores especializados no assunto e para interessados em geral. harlon.romariz@advir.com

Livro disponível em plataforma digital (e-book):

http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Karina+Kuschnir

http://busca.gatosabido.com.br/web/Resultado.aspx?q=karina+kuschnir

DHAMMAPADA

……Os budistas merecem certa admiração. É impressionante como eles conseguem perceber aspectos tão profundos da realidade humana. O reconhecimento do sofrimento, a forma como encaram o orgulho e o egoísmo, a necessidade que tem da disciplina e do amor ao próximo. Segue abaixo o Dhammapada, que reúne as características de um Brâmane, ou de alguém que procura alcançar o ideal budista.

harlon.romariz@advir.com

DHAMMAPADA

386 Àquele que é dado à prática da meditação, impoluto, equilibrado e que fez aquilo que era devido, livre de corrupções e tendo atingido o supremo objetivo — a ele eu chamo um Brâmane.

387 O sol resplandece pela manhã, a lua brilha à noite. O guerreiro, em seu aparato de guerra, também brilha. O Brâmane brilha na meditação. O Buddha, em seu resplendor, fulgura dia e noite.

388 Chama-se Brâmane aquele que se libertou do mal. Chama-se recluso aquele cuja conduta é equilibrada. [...]

389 Não se deve bater num Brâmane que também esse Brâmane fio deve lançar seu ódio sobre o ofensor. Vergonha para aquele que bate num Brâmane; maior vergonha para aquele que se deixa levar pelo ódio.

390 Nada melhor para o Brâmane do que o controle da mente sobre as tendências. Na medida em que ele suprime a inimizade, sua aflição será reduzida.

391 Àquele que não pratica o mal, seja pelo corpo, seja pela palavra ou pela mente; àquele que é controlado nesses três aspectos — a ele Eu chamo um Brâmane.

[...]

393 Não é pela trança no cabelo, pela origem do clã ou pelo nascimento que alguém é Brâmane. Naquele em que existem a verdade e a pureza — este é virtuoso, este é um Brâmane.

394 Qual a vantagem do cabelo trançado, se nascio? Que valia tem a sua roupa de pele de leopardo? Por dentro você está cheio (de paixões); sua beleza é somente externa.

395 À pessoa que usa trapos apanhados nos monturos, que é esguio, mostrando todas as suas vetas; que é dado à meditação sozinho na floresta, — a ele eu chamo um Brâmane.

396 Eu não o chamo Brâmane somente porque ele nasceu num ventre ou surgiu [...] Brâmane. Ele é somente “um nome querido” se está sujeito às imperfeições. Aquele que está livre de imperfeições, — a ele eu chamo um Brâmane.

397 Àquele que cortou todas as amarras, que não mais tem medo, que se desfez de todos os laços — a ele Eu chamo um Brâmane.

398 Àquele que cortou a peia (do ódio), o laço (da ambição) e a corda (da dúvida) além dos apêndices (isto é: tendências latentes); que se desvencilhou do jugo (da ignorância) e é Iluminado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

399 Àquele que recebe golpes e prisões, desprezando sentimentos de vingança; aquele cuja força, o exercício poderoso é a paciência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

400 Àquele que está livre do ódio, que é aplicado na prática dos preceitos, virtuoso, intocado pela ambição, controlado e que tem no atual corpo o último, — a ele Eu chamo um Brâmane.

401 Como água na folha do lótus, como mostarda no gume do machado, àquele que não se apega aos prazeres sensuais, — a ele Eu chamo um Brâmane.

402 Àquele que na atual vida conseguiu realizar a cessação do sofrimento, que deixou seu fardo de lado e é emancipado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

403 Àquele cujo conhecimento é profundo, que é sábio, hábil no decidir entre o caminho certo e o errado, que atingiu o supremo objetivo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

404 Àquele que não mantém intimidade com leigos ou com monges, que vagueia sem pouso certo, de poucos desejos, — a ele Eu chamo um Brâmane.

405 Àquele que abandonou toda forma de ofensa a qualquer ser vivo, ativo ou imóvel; que não mata nem é causador de morte, — a ele Eu chamo um Brâmane.

406 Amistoso entre pessoas hostis, pacífico entre os violentos, desapegado entre os ambiciosos, — a ele Eu chamo um Brâmane.

407 Naquele no qual a luxúria, o ódio, o orgulho e a inveja se desligaram como a semente de mostarda do gume do machado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

408 Àquele que profere palavras verdadeiras, gentis e instrutivas, nunca ofendendo ninguém, — a ele Eu chamo um Brâmane.

409 Àquele que neste mundo nada tira que não lhe for dado, seja a coisa longa ou curta, peque ou grande, boa ou má, — a ele Eu chamo um Brâmane.

410 Naquele em que não se encontra desejo para viver neste mundo ou em outro, desapegado, liberto ou jugo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

411 Àquele que não tem desejos porque tem conhecimento perfeito, está livre de dúvidas, mergulhou no Imortal, — a ele Eu chamo um Brâmane.

412 E àquele que conseguiu transcender o bem e o mal, assim como o apego, está livre de tristezas, impoluto e puro, — a ele Eu chamo um Brâmane.

413 Àquele que não tem nodoa e é puro, sereno e claro como a lua, que não mais se deleita com a existência, — a ele Eu chamo um Brâmane

[...] harlon.romariz@advir.com

415 Àquele que abandonando todos os prazeres sensuais do mundo, renunciou ao lar e tornou-se um sem-lar, que secou toda a luxúria na existência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

416 Àquele que abandonou a ambição, renunciou ao lar e tornou-se um sem lar, que secou a ambição da existência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

417 Àquele que se libertou das peias humanas, transcendeu aos laços celestiais, está completamente livre de qualquer amarra, — a ele Eu chamo um Brâmane.

418 Aquele que abandonou prazer e aversão, está tranqüilo, livre das bases do “vir a ser”, que conquistou a vitória sobre o mundo todo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

[...]

420 Àquele cujo destino final é desconhecido aos deuses a duendes, que se tornou nobre pela destruição das pústulas, — a ele Eu chamo um Brâmane.

421 Àquele que não tem apego aos apegados, sejam eles do passado, do presente ou do futuro, aquele que não tem ambição e apego, — a ele Eu chamo um Brâmane.

422 O pobre, o excelente, o herói, o grande sábio, o conquistador, o sem paixões, o Iluminado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

423 Aquele que conhece os locais de suas prévias existências, que vê os céus e os infernos, que atingiu o fim dos renascimentos e conseguiu perfeita intuição, o sábio que conseguiu realizar tudo que é realizável, — a ele Eu chamo um Brâmane.

Tabela 01 – “DHAMMAPADA”.

BHADRA, Shanti. Dhammapada. Informativo, Santa Teresa, 29 jun. 1979, p. 4. Disponível em: <http://sbb.riobudavihara.com/arquivo5.php&gt;. Acesso em: 05 abr. 2010. supressões feitas.

harlon.romariz@advir.com

……Como cristão não posso concordar com esse texto de maneira absoluta. Até por que o budismo nega o que de mais importante há para a salvação: um Salvador. Jesus é quem nos dá a oportunidade de Salvação por meio de Sua graça e sacrifício expiatório. Ele veio a esse mundo com esse propósito (c.f Lucas 19:10) e não há como ser salvo por forças próprias (c.f Romanos 3: 23-25). Assim esses ensinamentos budistas devem ser alcançados, mas quando já estamos firmados na Rocha que é Jesus, quando recebemos dEle o Poder para viver uma vida feliz.

Comentário sobre a entrevista “Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da teoria de gaia”

HUMANIDADE não pode salvar o planeta, afirma criador da teoria de gaia. BBC. Brasília, 31 mar. 2010. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100331_lovelock_entrevista_rw.shtm/&gt;. Acesso em: 31 mar. 2010.

Harlon Romariz

O britânico James Lovelock é considerado um dos “mentores” do movimento ambientalista em todo o mundo. A Teoria de Gaia, por ele criada, foi um marco na percepção do mundo natural.

Desde então a Terra pode ser considerada como um organismo vivo ou superorganismo “no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente”. O planeta terra para ele não pode ser entendido como uma simples soma dos elementos químicos e fenômenos físicos, mas num arranjo complexo, organizado e equilibrado de tudo que existe.

A sua declaração de que tentar salvar a Terra é perda de tempo, pareceu surpreender a muitos. Nessa entrevista concedida a BBC, Lovelock afirmou enfaticamente que “Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso. Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos”.

Na verdade, não se poderia esperar outra declaração por parte dele. Sua teoria afirma que a terra é um organismo independente e vivo, e que fará de tudo para manter-se assim. Todas as mudanças ou elementos que prejudiquem sua existência serão eliminados por esse grande organismo. Se o homem já desencadeou essa reação, não há nada a se fazer para reverter o quadro. Toda ação humana será insuficiente. Já “apertamos o gatilho” e a terra já tomou sua decisão!

Essa afirmação, contudo, cria um sério problema. Indica uma percepção niilista da vida e tira de nós um dos recursos humanos mais preciosos: a esperança. Durante todo o movimento ambiental aprendemos que somos culpados pela destruição da terra, e o mais importante, que tínhamos a responsabilidade de alterar o destino e a possibilidade de encontrar a sustentabilidade. Agora, não há mais nada a ser feito!

Todos os discursos, os protestos, as conquistas, legislações, movimentos, práticas educativas que surgiram em prol da sustentabilidade nesses últimos 30 anos agora são marcas da “bobagem” humana. Tudo bem, qual a solução então?

Essa é a segunda declaração questionável de James. A primeira foi quando ele disse que deveríamos substituir a energia fóssil pela nuclear, diminuindo assim o efeito estufa. A idéia logo foi rechaçada e ele ganhou o apelido de “Gandhi da Ciência” pela revista New Scientist. Seu plano não entrou em funcionamento. A energia nuclear continua sendo criticada, e agora ele diz que todos vamos desaparecer porque não ouvimos seus conselhos, e mesmo se tivéssemos ouvido não adiantaria muito.

Quando o mundo acabar não terá sido por causa do capricho da deusa Gaia, mas pela irresponsabilidade humana de trazer o mal à realidade. Não descarto totalmente a Teoria de Gaia, acredito que os sistemas são interligados, mas não posso considerá-la como uma teoria infalível e absoluta. Prefiro acreditar que há Esperança, como narra a Bíblia, do que imaginar que chegou o fim da vida humana por completo, pois a arca metálica que partirá da China não passa do fruto da imaginação em Hollywood.