Os Invisíveis – III

por Edmilson Rodrigues

harlonAo  fundo,  o  Teatro  da  Paz.  A criança descalça adquire contexto, compondo  o  cenário  da  opulência de  uma  cidade  que  era  tida  como uma espécie de Paris dos trópicos. Naqueles  anos,  como  registra  a historiografia  oficial,  vivíamos  a euforia  de  um  poderoso  ciclo  de crescimento  econômico,  baseado na exploração da borracha, que foi capaz  de  enriquecer  uma  elite nativa, sem, entretanto, representar qualquer  vantagem  para  os  que viviam de seu próprio  trabalho.
Belém,  enfim,  se modernizava, mas  seu  povo,  herdeiro  das sangrentas lutas sociais da primeira metade  do  século  anterior,  continuava submetido a mais atroz miséria.

HarlonApesar do peso de tantos anos de esquecimento, cabe perguntar sobre se seria possível existir a Belém de 1906, data provável dessa  fotografia, sem que o  trabalho dos de baixo  fosse responsável pela criação de toda a riqueza, que ontem como hoje, permanece concentrada nas mãos de poucos.

Os Invisíveis – II

por Edmilson Rodrigues

Agora já é possível ver uma pessoa de corpo inteiro. É uma criança, pobre, negra ou índia, tanto faz. O fato é que integra a legião dos despossuídos, descartáveis em sua maioria, invisíveis, sempre. O que fazia essa criança de pés no chão quando o fotografo do início do século XX a flagrou? Ela não é o objeto central da atenção do artista, certamente. Está ali por um acaso. É um detalhe, e como tal permanecerá esquecido.

Os Invisíveis

Essa é uma série de textos publicados em março de 2006, pelo então prefeito de Belém-PA Edmilson Rodrigues. Com sua devida autorização vou re-publicar esses textos aqui semanalmente. Abaixo segue o primeiro!

Os Invisíveis – I

por Edmilson Rodrigues

Observe detidamente a  figura acima. São pés descalços, comuns, como  tantos. Mas, não se deixem enganar pelas aparências, são pés muito especiais. De quem são? Certamente não pertenceram a alguém bem nascido, filho das chamadas “classes produtoras”, ou melhor, das também  conhecidas  “famílias de bem”. Não,  trata-se de um pobre, provavelmente negro, talvez  neto  de  escravos. O  chão  que  ele  pisa  é  de Belém,  há  exatamente  100  anos,  no alvorecer do século XX.

Qual seu nome? Qual sua história? Como terá vivido e sobrevivido esse homem (ou será uma  criança?)  naqueles  dias  em  que  a  humanidade  vivia  momentos  de  alucinantes transformações?

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Fonte (a única fonte disponível, pois o blog do autor tem seções inválidas):
<http://www.uniblog.com.br/edmilsonrodrigues/49287/os-invisiveis—4.html&gt;

DHAMMAPADA

……Os budistas merecem certa admiração. É impressionante como eles conseguem perceber aspectos tão profundos da realidade humana. O reconhecimento do sofrimento, a forma como encaram o orgulho e o egoísmo, a necessidade que tem da disciplina e do amor ao próximo. Segue abaixo o Dhammapada, que reúne as características de um Brâmane, ou de alguém que procura alcançar o ideal budista.

harlon.romariz@advir.com

DHAMMAPADA

386 Àquele que é dado à prática da meditação, impoluto, equilibrado e que fez aquilo que era devido, livre de corrupções e tendo atingido o supremo objetivo — a ele eu chamo um Brâmane.

387 O sol resplandece pela manhã, a lua brilha à noite. O guerreiro, em seu aparato de guerra, também brilha. O Brâmane brilha na meditação. O Buddha, em seu resplendor, fulgura dia e noite.

388 Chama-se Brâmane aquele que se libertou do mal. Chama-se recluso aquele cuja conduta é equilibrada. [...]

389 Não se deve bater num Brâmane que também esse Brâmane fio deve lançar seu ódio sobre o ofensor. Vergonha para aquele que bate num Brâmane; maior vergonha para aquele que se deixa levar pelo ódio.

390 Nada melhor para o Brâmane do que o controle da mente sobre as tendências. Na medida em que ele suprime a inimizade, sua aflição será reduzida.

391 Àquele que não pratica o mal, seja pelo corpo, seja pela palavra ou pela mente; àquele que é controlado nesses três aspectos — a ele Eu chamo um Brâmane.

[...]

393 Não é pela trança no cabelo, pela origem do clã ou pelo nascimento que alguém é Brâmane. Naquele em que existem a verdade e a pureza — este é virtuoso, este é um Brâmane.

394 Qual a vantagem do cabelo trançado, se nascio? Que valia tem a sua roupa de pele de leopardo? Por dentro você está cheio (de paixões); sua beleza é somente externa.

395 À pessoa que usa trapos apanhados nos monturos, que é esguio, mostrando todas as suas vetas; que é dado à meditação sozinho na floresta, — a ele eu chamo um Brâmane.

396 Eu não o chamo Brâmane somente porque ele nasceu num ventre ou surgiu [...] Brâmane. Ele é somente “um nome querido” se está sujeito às imperfeições. Aquele que está livre de imperfeições, — a ele eu chamo um Brâmane.

397 Àquele que cortou todas as amarras, que não mais tem medo, que se desfez de todos os laços — a ele Eu chamo um Brâmane.

398 Àquele que cortou a peia (do ódio), o laço (da ambição) e a corda (da dúvida) além dos apêndices (isto é: tendências latentes); que se desvencilhou do jugo (da ignorância) e é Iluminado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

399 Àquele que recebe golpes e prisões, desprezando sentimentos de vingança; aquele cuja força, o exercício poderoso é a paciência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

400 Àquele que está livre do ódio, que é aplicado na prática dos preceitos, virtuoso, intocado pela ambição, controlado e que tem no atual corpo o último, — a ele Eu chamo um Brâmane.

401 Como água na folha do lótus, como mostarda no gume do machado, àquele que não se apega aos prazeres sensuais, — a ele Eu chamo um Brâmane.

402 Àquele que na atual vida conseguiu realizar a cessação do sofrimento, que deixou seu fardo de lado e é emancipado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

403 Àquele cujo conhecimento é profundo, que é sábio, hábil no decidir entre o caminho certo e o errado, que atingiu o supremo objetivo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

404 Àquele que não mantém intimidade com leigos ou com monges, que vagueia sem pouso certo, de poucos desejos, — a ele Eu chamo um Brâmane.

405 Àquele que abandonou toda forma de ofensa a qualquer ser vivo, ativo ou imóvel; que não mata nem é causador de morte, — a ele Eu chamo um Brâmane.

406 Amistoso entre pessoas hostis, pacífico entre os violentos, desapegado entre os ambiciosos, — a ele Eu chamo um Brâmane.

407 Naquele no qual a luxúria, o ódio, o orgulho e a inveja se desligaram como a semente de mostarda do gume do machado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

408 Àquele que profere palavras verdadeiras, gentis e instrutivas, nunca ofendendo ninguém, — a ele Eu chamo um Brâmane.

409 Àquele que neste mundo nada tira que não lhe for dado, seja a coisa longa ou curta, peque ou grande, boa ou má, — a ele Eu chamo um Brâmane.

410 Naquele em que não se encontra desejo para viver neste mundo ou em outro, desapegado, liberto ou jugo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

411 Àquele que não tem desejos porque tem conhecimento perfeito, está livre de dúvidas, mergulhou no Imortal, — a ele Eu chamo um Brâmane.

412 E àquele que conseguiu transcender o bem e o mal, assim como o apego, está livre de tristezas, impoluto e puro, — a ele Eu chamo um Brâmane.

413 Àquele que não tem nodoa e é puro, sereno e claro como a lua, que não mais se deleita com a existência, — a ele Eu chamo um Brâmane

[...] harlon.romariz@advir.com

415 Àquele que abandonando todos os prazeres sensuais do mundo, renunciou ao lar e tornou-se um sem-lar, que secou toda a luxúria na existência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

416 Àquele que abandonou a ambição, renunciou ao lar e tornou-se um sem lar, que secou a ambição da existência, — a ele Eu chamo um Brâmane.

417 Àquele que se libertou das peias humanas, transcendeu aos laços celestiais, está completamente livre de qualquer amarra, — a ele Eu chamo um Brâmane.

418 Aquele que abandonou prazer e aversão, está tranqüilo, livre das bases do “vir a ser”, que conquistou a vitória sobre o mundo todo, — a ele Eu chamo um Brâmane.

[...]

420 Àquele cujo destino final é desconhecido aos deuses a duendes, que se tornou nobre pela destruição das pústulas, — a ele Eu chamo um Brâmane.

421 Àquele que não tem apego aos apegados, sejam eles do passado, do presente ou do futuro, aquele que não tem ambição e apego, — a ele Eu chamo um Brâmane.

422 O pobre, o excelente, o herói, o grande sábio, o conquistador, o sem paixões, o Iluminado, — a ele Eu chamo um Brâmane.

423 Aquele que conhece os locais de suas prévias existências, que vê os céus e os infernos, que atingiu o fim dos renascimentos e conseguiu perfeita intuição, o sábio que conseguiu realizar tudo que é realizável, — a ele Eu chamo um Brâmane.

Tabela 01 – “DHAMMAPADA”.

BHADRA, Shanti. Dhammapada. Informativo, Santa Teresa, 29 jun. 1979, p. 4. Disponível em: <http://sbb.riobudavihara.com/arquivo5.php&gt;. Acesso em: 05 abr. 2010. supressões feitas.

harlon.romariz@advir.com

……Como cristão não posso concordar com esse texto de maneira absoluta. Até por que o budismo nega o que de mais importante há para a salvação: um Salvador. Jesus é quem nos dá a oportunidade de Salvação por meio de Sua graça e sacrifício expiatório. Ele veio a esse mundo com esse propósito (c.f Lucas 19:10) e não há como ser salvo por forças próprias (c.f Romanos 3: 23-25). Assim esses ensinamentos budistas devem ser alcançados, mas quando já estamos firmados na Rocha que é Jesus, quando recebemos dEle o Poder para viver uma vida feliz.