Resumo do capítulo: Resiliência no indivíduo e na família

SILVA, Célia Nunes. Resiliência no indivíduo e na família. In: JACQUET; COSTA (Ed.). Família em mudança. São Paulo: Companhia Ilimitada, 2004, p. 177-192.

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……A idéia de resiliência foi inicialmente aplicada à psicologia, ao estudar o próprio indivíduo danificado pela família tida como disfuncional. Posteriormente descreveu-se a resiliência familiar de um modo que a família estressada não mais era considerada disfuncional, mas como desafiada por determinados obstáculos. Na Física, a resiliência de um material corresponde à energia de deformação máxima que esse é capaz de armazenar sem sofrer danos permanentes. Nas ciências sociais é tido como a capacidade que as pessoas e os grupos têm de passar por diversas circunstâncias negativas ou obstáculos, tentando minimizar ou superá-los ao máximo.

……O progresso das pesquisas sociais, em especial as da década de oitenta revelaram que a capacidade de resiliência é diversa entre as pessoas e grupos. Grupos homogêneos casualizados em mesma situação de estresse ou dificuldade reagem de maneira diversa, como o caso das crianças pesquisadas. Assim e ao longo de mais estudos foi possível perceber os vários mecanismos socialmente aceitáveis que indivíduos e comunidades utilizam na lida dos problemas e tensões cotidianos.

……Resiliência no contexto social não é mera sobrevivência e também não pode ser considerada como invulnerabilidade. A resiliência é a capacidade, onde se soma vários fatores, que possibilitam o melhor enfretamento dos problemas, o que não significa sair deles sem nenhuma sequela. Essas variáveis ainda mostram que a resiliência é relativa e depende tanto das bases constitucionais do indivíduo quanto ambientais que o cercam.

……São vários os conceitos e temas relacionados a resiliência. O primeiro a ser destacado e ó conceito de Risco, que são toda a sorte de eventos negativos da vida, e que aumentam a possibilidades de problemas de inúmeras ordens. O conceito de Vulnerabilidade se opera quando o risco está presente. São as complexas interações entre as forças individuais e fatores ambientais, como por exemplo, a existência ou não de suporte social relacionados a outros fatores e que são uma das causas da diversidade de respostas dadas pelas pessoas. Stress pode ser entendido como a percepção que a pessoa e o seu corpo tenham de determinada situação, interpretação do evento estressor. Coping pode ser considerado o oposto do stress é a capacidade que permite ao ser humano de lidar positivamente com a adversidade. Finalmente tem-se os Fatores de proteção que são as qualidades do indivíduo (constitucionais ou sociais) como pessoa, esse fatores podem ser internos ou externos e que reduzem o efeito do risco.

……As formas de estimular a resiliência são sistematizadas em cinco áreas: a. redes informais de apoio e uma relação de aceitação incondicional da [...] pessoa; b. capacidade para descobrir significado, sentido e coerência da vida, em estreita relação com uma fé religiosa; c. aptidões sociais e capacidade para resolver problemas, bem como controle sobre a própria vida; d. auto-estima e concepção positiva de si mesmo; e. senso de humor.

……Segundo o texto há dois mitos concernentes a família que perpetuam uma visão inflexível. O primeiro é a crença de que existem “famílias normais” sem nenhum problema ou conflito, visão essa que acaba “patologizando” as dificuldades naturais que tais grupos possuem. O outro mito é definir a “família normal” como a familiar nuclear de pai, mãe e filhos, desconsiderando todas as outras formas legítimas de famílias, que fogem aos papéis tradicionais de gênero e modelos idealizadores.

…… Alguns processos são reconhecidos como meios de estímulo a um bom desempenho familiar e ao bem-estar dos seus integrantes, esses são: coesão, flexibilidade, comunicação franca e verdadeira, capacidade para resolver problemas, disponibilidade de recursos comunitários e sistemas de crenças compartilhados. harlon.romariz@advir.com – adobservare.worpress.com

Comentário sobre a entrevista “Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da teoria de gaia”

HUMANIDADE não pode salvar o planeta, afirma criador da teoria de gaia. BBC. Brasília, 31 mar. 2010. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100331_lovelock_entrevista_rw.shtm/&gt;. Acesso em: 31 mar. 2010.

Harlon Romariz

O britânico James Lovelock é considerado um dos “mentores” do movimento ambientalista em todo o mundo. A Teoria de Gaia, por ele criada, foi um marco na percepção do mundo natural.

Desde então a Terra pode ser considerada como um organismo vivo ou superorganismo “no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente”. O planeta terra para ele não pode ser entendido como uma simples soma dos elementos químicos e fenômenos físicos, mas num arranjo complexo, organizado e equilibrado de tudo que existe.

A sua declaração de que tentar salvar a Terra é perda de tempo, pareceu surpreender a muitos. Nessa entrevista concedida a BBC, Lovelock afirmou enfaticamente que “Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso. Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos”.

Na verdade, não se poderia esperar outra declaração por parte dele. Sua teoria afirma que a terra é um organismo independente e vivo, e que fará de tudo para manter-se assim. Todas as mudanças ou elementos que prejudiquem sua existência serão eliminados por esse grande organismo. Se o homem já desencadeou essa reação, não há nada a se fazer para reverter o quadro. Toda ação humana será insuficiente. Já “apertamos o gatilho” e a terra já tomou sua decisão!

Essa afirmação, contudo, cria um sério problema. Indica uma percepção niilista da vida e tira de nós um dos recursos humanos mais preciosos: a esperança. Durante todo o movimento ambiental aprendemos que somos culpados pela destruição da terra, e o mais importante, que tínhamos a responsabilidade de alterar o destino e a possibilidade de encontrar a sustentabilidade. Agora, não há mais nada a ser feito!

Todos os discursos, os protestos, as conquistas, legislações, movimentos, práticas educativas que surgiram em prol da sustentabilidade nesses últimos 30 anos agora são marcas da “bobagem” humana. Tudo bem, qual a solução então?

Essa é a segunda declaração questionável de James. A primeira foi quando ele disse que deveríamos substituir a energia fóssil pela nuclear, diminuindo assim o efeito estufa. A idéia logo foi rechaçada e ele ganhou o apelido de “Gandhi da Ciência” pela revista New Scientist. Seu plano não entrou em funcionamento. A energia nuclear continua sendo criticada, e agora ele diz que todos vamos desaparecer porque não ouvimos seus conselhos, e mesmo se tivéssemos ouvido não adiantaria muito.

Quando o mundo acabar não terá sido por causa do capricho da deusa Gaia, mas pela irresponsabilidade humana de trazer o mal à realidade. Não descarto totalmente a Teoria de Gaia, acredito que os sistemas são interligados, mas não posso considerá-la como uma teoria infalível e absoluta. Prefiro acreditar que há Esperança, como narra a Bíblia, do que imaginar que chegou o fim da vida humana por completo, pois a arca metálica que partirá da China não passa do fruto da imaginação em Hollywood.